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Contra a Corrente - Resenha

há 4 horas
5 min de leitura
Contra a Corrente resenha

​Pensei duas vezes antes de começar Contra a Corrente. São 47 episódios e fazia muito tempo que eu não assistia a algo tão longo. O início, no entanto, foi uma grata surpresa — apesar do sofrimento intenso dos dois primeiros episódios, em que a protagonista vai da riqueza à pobreza.



​Ambientada na China imperial (em um período que se percebe mais recente pelo estilo das vestimentas), a direção de arte chama atenção. Os homens parecem um pouco desalinhados, com o cinto mais baixo na cintura, o que dá uma aparência quase desleixada. Já as mulheres vestem trajes bonitos e mais soltos no corpo, como batas longas — embora não tão pomposas quanto as de dinastias anteriores.


​Sinopse: A jornada de superação de Shen Jialan


​A história vai nos guiar pela superação de uma mocinha, única sobrevivente de toda a família Shen, que teve seu sonho de se casar na família Lin destruído por conspirações contra seu pai na corte, o que levou ao massacre de toda a sua família.


​Mas Shen Jialan (Tan Song Yun) sobrevive com a ajuda de um casal que acaba de perder a filha doente. Em meio à dor, eles a acolhem no lugar da filha falecida para que ela possa viver. Jialan vai, então, assumir o nome da filha desse casal, Lanxiang, e viver com eles como serva — ironicamente, da família Lin.


​Mas Lin Jinqi (Liu Xue Yi) e Shen Jialan nunca se viram quando estavam prometidos um ao outro em casamento, e o noivado foi desfeito sem que eles se conhecessem. Por esse motivo, Jinqi não reconhece Lanxiang, mas ela sabe exatamente quem ele é.


​Ao contrário dos clichês, ela não busca vingança contra a família Lin, pois eles não têm nada a ver com a morte da família dela. Resta apenas um ressentimento pelo noivado desfeito justamente no momento em que sua família foi massacrada.


​A primeira fase: Da servidão à conquista da liberdade


​Lanxiang vive uma vida dura como serva da família Lin na primeira fase do drama. Pena nas mãos da sórdida primeira esposa de Jinqi, mas vai ganhando a confiança de seus senhores e conquistando méritos diante da família. Seu propósito é alcançar a liberdade para ela e para seus pais adotivos.


​Jinqi é um homem de bom caráter e de bom coração. Diante da inteligência e perspicácia de Lanxiang, ele começa a observá-la: primeiro por compaixão, depois por admiração e, por fim, por amor, sem sequer supor que ela seja a noiva do seu casamento desfeito — que ele pensa estar morta.


​Na segunda fase, é muito gratificante observar como ele vai se interessando por ela, pelos olhares às escondidas e pelo cuidado que ele dispensa a ela, diferente de como trata outras servas. Quando Lanxiang finalmente alcança a liberdade, ele é o primeiro a apoiá-la. Ela finalmente pode ter uma vida digna e livre junto de seus pais. Mas essa paz só dura até a página dois e logo aparece mais encrenca.


​Uma nova rival surge sem ninguém esperar, e ela, que não está nem aí para Lin Jinqi, custa a entender por que é perseguida. Todo mundo notou o interesse dele por ela, mas ela só pensa em viver bem com sua família.



​Mudanças bruscas e furos no roteiro


​Quando finalmente chega o casamento dela com Jinqi, sim, você não se perdeu na resenha, é isso mesmo! Esse casamento veio assim, do nada, não só para nós leitores, mas para ela também. A reação dela foi a mais inesperada possível. E aqui está um dos pontos onde parece que a história deixou algo pelo caminho.


​A trama vinha transcorrendo normalmente em um ritmo bem encadeado de passagens de tempo e evolução, mas, em alguns pontos, simplesmente insere acontecimentos que parecem ter vindo do vácuo. Como a filha de um marquês que chega na história já querendo a todo custo casar com Jinqi e, por uns três episódios, atormenta a vida de Lanxiang, só para no fim ser a maior prejudicada. E, assim como ela apareceu, ela se foi.


​Outro ponto é o casamento entre Jinqi e Lanxiang. Jinqi, ciente de que a família dele jamais aceitaria uma ex-serva como nora, bola uma artimanha: ao ganhar méritos diante do novo imperador, pede que este lhe conceda Lanxiang em casamento.


​Assim, a família dele não pode recusar e é obrigada a aceitar sem reclamar, pois qualquer discordância seria uma afronta direta a uma ordem imperial. Ótimo, porém Lanxiang não sabe nada sobre isso, não sabe que Jinqi tem sentimentos por ela e não desconfia de nada.


​Realmente ficou meio confuso, pois, após ela deixar a servidão na família Lin, eles praticamente não se viram mais, não conversaram, não tiveram uma aproximação maior, e isso deixou essa parte do drama parecendo que faltou alguma coisa.


​A mudança inexplicável de comportamento da protagonista


​O mais surpreendente foi o casamento: lindo e com todos os ritos cumpridos, mas as atitudes dela surpreenderam bastante. Parecia outra personagem. A Lanxiang que vínhamos assistindo, cheia de resiliência, ponderada, nunca buscando vingança e sempre cordial e gentil, de repente tem atitudes que saem completamente do que se esperava dela. No casamento, ela reluta em curvar-se para o noivo e depois o esbofeteia na frente de todos os amigos dele. Realmente fiquei surpresa e me perguntei: “por que ela está agindo assim?”.


​No dia seguinte ao casamento, quando os noivos devem visitar os mais velhos logo cedo de manhã, ela se recusa a usar sua melhor roupa e, diante dos mais velhos da família, simplesmente se recusa a dizer qualquer palavra, deixando o momento totalmente constrangedor para todos.


​Aí você se pergunta: onde foi parar aquela Lanxiang gentil e educada? Pelo andar da trama, ela não tinha motivos para agir assim, desrespeitando os mais velhos. Todos ali nunca fizeram mal a ela e aceitaram numa boa conceder a ela e à sua família a liberdade.


​Ela poderia ficar brava com Jinqi por não ter conversado com ela antes, por não ter explicado suas intenções e sentimentos, mas isso não justifica sua atitude diante do restante da família. Sim, a família não queria uma ex-serva como nora, mas estavam ali engolindo seus orgulhos e sendo educados com ela o tempo todo.



​Desenvolvimento do casal e trilha sonora


​A história toda corre sem grandes reviravoltas, e as fases são bem encadeadas, havendo apenas alguns pontos que ficaram meio sem nexo como esses. Mas o relacionamento dos dois vai sendo construído um passo após o outro. E é de se admirar a paciência e a persistência dele em relação a ela.


​Os personagens ao redor também dão um show com histórias vivas e marcantes. A trilha sonora traz letras que nos remetem às trajetórias dos personagens, apesar de não ter nenhum grande destaque daquelas trilhas inesquecíveis que não saem da nossa cabeça e fazem a gente viajar na cena. Ainda assim, está condizente com o ritmo da trama.



​Vale a pena assistir a Contra a Corrente?


​Para uma série de 47 episódios, ter alguns capítulos que não agradam muito é perfeitamente aceitável. Podemos nos deliciar enquanto assistimos a esse casal se desenvolvendo, ganhando confiança e cumplicidade sem grandes arroubos e separações irritantes.


​Se você não se importa com a quantidade de episódios e gosta de histórias de amor em que o casal vai construindo seu relacionamento aos poucos, Contra a Corrente é uma boa opção para assistir — principalmente após um período acompanhando dramas mais intensos, para descansar a mente sem ter que focar demais.


​Da mesma diretora Huang Ying Xiang (de As Belas), o drama Contra a Corrente (Against the Current) foi lançado em 11 de setembro de 2026 e está disponível nos catálogos do WeTV e do Viki, além de diversos fansubs. Para quem quiser experimentar, os dois primeiros episódios também podem ser assistidos gratuitamente no canal oficial do WeTV no YouTube, com opções dublada e legendada.

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